Uma Cidade em Crônicas: Encarando Números na Estrutural

Como desdobramento do Mapa das Desigualdades, que levantou indicadores de desigualdade em três regiões do DF, lançamos hoje o livro “Uma Cidade em Crônicas: Encarando números na Estrutural”.

 A publicação reúne pequenas crônicas sobre a cidade Estrutural, trazendo a vida e a experiência na cidade em suas múltiplas dimensões, para além dos estereótipos, ressaltando a potência criativa e resistente das pessoas que lidam diariamente com um nível alarmante de desigualdade.

Diante das ausências de políticas públicas, os moradores/as da cidade Estrutural criam estratégias de sobrevivência, por trás dos números reveladores de desigualdades atrozes – contra as quais não podemos senão combater – há acima de tudo a energia de pessoas que resistem e insistem em construir suas vidas naquela cidade, por escolha ou por falta de alternativas. Pessoas que chegaram ao Distrito Federal diante das promessas da capital da esperança, oriundas especialmente do norte e nordeste brasileiros, e que encontraram na Estrutural a possibilidade de renda no lixão ou em atividades correlatas.

Para quem ainda não conhece, a cidade Estrutural recebeu esse nome por ter crescido às margens de uma via, a Estrutural, que liga o Plano Piloto à Taguatinga, Ceilândia e cidades goianas situadas no entorno do DF. E foi ali que, ao longo de anos, toda a população desse território chamado Brasília depositou seu lixo. E as pessoas que primeiro se instalaram nesse local, vieram para trabalhar como catadores e catadoras de materiais recicláveis.

O fechamento do lixão – ocorrido em janeiro de 2018, quando também levávamos a cabo nossa pesquisa – ainda que necessário, trouxe novas questões para cidade. Mais uma vez, a cidade Estrutural se encontra em momento de transformação, enfrentando novos problemas, tais como a especulação imobiliária que tenta expulsar seus moradores/as agora não mais pelas armas da polícia, mas pelo peso do dinheiro. Não conhecemos o desfecho dessa história.

O que sim conhecemos é a força e criatividade daqueles que ali habitam, que fazem da Estrutural não uma, mas várias cidades. Foram as histórias de resistência ativa, mais que o papel estático que a denúncia muitas vezes atribui a quem está na base da pirâmide do poder, que nos mobilizaram nesse processo. As soluções inventadas e dilemas diante de grandes problemas estão estampados nas diversas vozes presentes nesta publicação, que procura mapear mais que números frios gerados a partir de fórmulas gestadas entre as quatro paredes da burocracia do Estado. É a sensação e agência de quem vive e resiste em seus cotidianos à grandes desigualdades que nos importam. É ali que residem as sementes da transformação.

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